RIGOLETTO

De Giuseppe Verdi - Festival de Bregenz

Exclusivo
São Paulo, 19/10 – Programação dupla no Festival Ópera na Tela!
Recital da mezzo soprano francesa Valentine Lemercier com Nino Pavlenichvili às 18h, seguido de sessão de Rigoletto às 19h no Museu da Casa Brasileira.

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Ópera em três atos
Libreto de Francesco Maria Piave, baseado na peça Le Rio s’amuse, de Victor Hugo
Cantada em italiano
Encenada pela primeira vez em 1851 no Teatro La Fenice, em Veneza
Duração: 2h05

Maestro: Enrique Mazzola
Diretor: Philipp Stölz
Figurino: Kathi Maurer
Orquestra: Orquestra Sinfônica de Viena
Coros: Festival de Bregenz e Filarmônico de Praga

Vladimir Stoyanov (Rigoletto)
Mélissa Petit (Gilda)
Stephen Costello (Duca)
Miklos Sebestyen (Sparafuccile)

O bobo da corte do duque de Mântua, Rigoletto, é odiado por todos, especialmente pelo conde Ceprano, cuja esposa o duque deseja. Amaldiçoado pelo conde Monterone, Rigoletto tem sua filha Gilda raptada e cortejada pelo duque disfarçado. Caindo numa cilada, Rigoletto contrata o assassinato da própria filha, pensando ser para o duque, e cai em desespero.

Composta em 40 dias, Rigoletto foi atacada, antes mesmo de estrear, por sua “imoralidade repulsiva” e pela “frivolidade obscena da trama”, segundo decreto oficial do Departamento de Ordem Pública de Veneza. Porém, em 1861, dez anos depois de apresentada pela primeira vez no teatro La Fenice, a ópera já registrava 300 apresentações, passando à história como um dos maiores sucessos de Verdi.

O imenso palco flutuante em Bregenz, na Áustria, que paira sobre o lago de Constança diante de uma arquibancada de 7 mil lugares, é uma verdadeira proeza de engenharia. Com 14 metros de altura, o palco central montado para esta produção de Rigoletto é capaz de ser levantado, abaixado e deslocado – graças a um dispositivo móvel – em diferentes direções.

Uma enorme cabeça constitui o principal elemento do cenário: é o lugar onde está instalado o duque de Mântua. Nela, ele ocupa ora os olhos (os quais, vazios, parecem com camarotes de um teatro, de onde ele assiste ao espetáculo), ora a boca (que engole Gilda no momento de seu sequestro) ou ainda o topo do crânio. À medida que se acentua a decadência de Rigoletto, a cabeça vai perdendo os dentes, os olhos e o nariz para se tornar, no fim, o covil no qual se esconde Sparafuccile. Duas gigantescas mãos de nove metros de altura completam o cenário, servindo tanto como abrigo como para chamar a atenção para os personagens.

O conceito de Stölzl para esta montagem não é exatamente cerebral, mas sim uma combinação poderosa de sensibilidade emocional e imaginação criadora. Toda a corte de Mântua se faz presente na condição de uma trupe de circo, na qual o próprio duque desempenha o papel de mestre de cerimônias; Monterone, o de mágico; Sparafuccile, o de um esqueleto humano lançador de facas e assim por diante. O espetáculo técnico é, por si só, um elemento fundamental da montagem, mas o cerne da produção reside na profunda exploração das emoções da ópera e de sua tradição de representação física.

Os cantores são todos excelentes, tanto por suas qualidades vocais como pela sua competência dramática. Triunfante em todas as suas intrigas, a francesa Mélissa Petit, que tem feito sua carreira basicamente nos países de língua alemã, é uma Gilda sedutora e astuciosa. Da mesma forma, Vladimir Stoyanov está perfeito como Rigoletto, evitando os excessos vocais e dramáticos geralmente associados ao papel. Stephen Costello tem um ótimo desempenho como duque de Mântua, com uma voz clara e penetrante.

Sob a direção de Enrique Mazzola, a Orquestra Sinfônica de Viena oferece uma performance refinada, que tem o cuidado de conferir maior leveza a trechos às vezes tocados de forma bem mais enfática. Ela inclui solistas soberbos, entre os quais merecem atenção especial o oboé e o violoncelo.

Ato I

Em baile no palácio, o Duque de Mântua pensa numa jovem que pretende conquistar. Mas decide primeiro conquistar a condessa Ceprano. O bobo da corte, Rigoletto, ridiculariza o marido dela. Mas ao zombar do Conde Monterone, cuja filha foi seduzida pelo duque, é por ele amaldiçoado, o que o choca. Rigoletto é interpelado por Sparafucile, que oferece seus serviços de assassino profissional, mas o despacha e abraça sua filha, Gilda. Reitera o amor por ela e, dizendo-lhe que não receba ninguém na casa, parte. Dando-se conta de que Gilda é filha de Rigoletto, o duque entra e, passando-se por um estudante, declara seu amor; ela se comove. Um grupo de homens planeja raptar Gilda, julgando-a a amante de Rigoletto, mas diz ao bobo que veio capturar a mulher de Ceprano. Vendam os olhos de Rigoletto e o fazem encostar uma escada em sua própria casa. Ouvindo os gritos de Gilda, ele se lembra da maldição de Monterone.

Ato II

Perturbado porque Gilda lhe foi tirada, o duque fica encantado ao saber que ela está no palácio. Rigoletto chega, fingindo indiferença até se dar conta de que Gilda está com o duque. Alvo de zombaria dos cortesãos, ele clama que ela é sua filha. Gilda aparece e, sozinha com o pai, confessa ter se apaixonado por um estudante, antes de ser levada à força para o palácio. A caminho da cadeia, vendo o retrato do duque, Monterone admite a derrota. Rigoletto reflete sobre a má sorte, jurando vingança.

Ato III

Gilda ainda ama o duque, mas Rigoletto quer que ela saiba que ele não vale nada. Espionando a casa de Sparafucile, ela reconhece o duque sob disfarce e o ouve pedir vinho e dizer que as mulheres não merecem confiança. Enquanto o duque seduz Maddalena, irmã de Sparafucile, Rigoletto o denuncia a Sparafucile como aquele que deve morrer. Paga então ao assassino, dizendo que voltará para recolher o corpo. Percebendo que seu novo amante vai morrer, Maddalena implora por sua vida. Sparafucile concorda em matar o próximo que chegar. Ouvindo esses planos, Gilda decide salvar o duque. Bate à porta e é apunhalada. Rigoletto põe o corpo num saco, mas de repente ouve a voz do duque. Em pânico, abre o saco e vê Gilda. Ela pede perdão e morre, e Rigoletto entende que a maldição foi cumprida.

           

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Museu da Casa Brasileira - São Paulo EAV Parque Lage - Rio de Janeiro