MANON LESCAUT

De Giacomo Puccini - Teatro alla Scala de Milão

Exclusivo

Drama em quatro atos
Libreto: G. Giacosa, L. Illica, D. Oliva, M. Praga, baseado em uma novela de l’Abbé Prévost
Cantada em italiano
Encenada pela primeira vez em 1893 no Teatro Regio, em Turim
Duração: 2h12

Maestro: Riccardo Chailly
Diretor: David Pountney
Cenografia: Leslie Travers
Figurinos: Marie-Jeanne Lecca
Orquestra e coro do Teatro alla Scala

María José Siri (Manon)
Roberto Aronica (Chevalier Des Grieux)
Massimo Cavaletti (Lescaut)

Um estilo de vida sóbrio não convém a Manon, que opta por se deixar sustentar por um velho rico. Sua atração pelo luxo acaba por levá-la à prisão, antes de ser deportada para Nova Orleans, onde sua vida agitada tem um fim trágico. Nessa aventura infernal, Des Grieux, conduzido por seu amor cego a Manon, não hesitará em recorrer a todos os meios para segui-la por toda parte.

Desde a noite de sua estreia, Manon Lescaut conheceu um sucesso estrondoso. Giacomo Puccini foi chamado ao palco oito vezes por essa que foi sua terceira ópera, cujo triunfo veio apagar o fracasso retumbante de Edgar, em 1889. Aos 34 anos, sua reputação, a partir desse momento consolidada, permite embarcar numa carreira promissora depois de três anos consagrados à composição de uma obra que exigiu a participação de sete autores diferentes só para o libreto!

A célebre História do cavaleiro Des Grieux e de Manon Lescaut (1731), do Abbé Prévost, já tinha inspirado Daniel-François-Esprit Auber, em 1856, e Jules Massenet, em 1884. Puccini desejava se diferenciar da obra de Massenet, que conhecia bem, para criar uma Manon diferente da jovem frívola e frágil pintada por seu antecessor. “Manon é uma heroína na qual acredito”, escreveu o compositor, fascinado pelo destino de uma mulher que valorizava a sensualidade e a tremenda energia investida na busca apaixonada pelos prazeres da vida. Puccini nos faz ouvir uma Manon provocante, avidamente ligada ao luxo e ao amor, dois elementos que se revelarão inconciliáveis. A heroína é uma mulher madura, um pouco libertina, ligeiramente cortesã, muito gananciosa, a mil anos-luz da imagem da Manon terna e ingênua do compositor francês.

Ela afirma, num grito aterrorizante, seu horror diante da morte inevitável, punição final por sua audácia de mulher animada por fortes paixões: “No, non voglio morir!”.

Manon Lescaut é uma obra de grande modernidade, caracterizada pela riqueza de suas sutilezas harmônicas e pela audácia de suas combinações instrumentais inéditas. Obedece ao princípio da “ópera contínua”, caro a Wagner. A orquestra desenvolve seus leitmotive, subjacentes ao tema central da morte.

Para além de seu interesse musicológico, esta nova produção milanesa de Manon Lescaut tem seus maiores atrativos na interpretação comovente de María José Siri, na regência exuberante de Riccardo Chailly e na suntuosa concepção de David Pountney.

Os cenários luxuosos – muito eficazes – utilizam quatro pinturas clássicas numa afinidade completa com o libreto. Muito “eiffeliana” e metálica, ela explicita cada ato: a estação de trem no primeiro, o magnífico apartamento vagão-leito no segundo, o trem e o barco no terceiro e a estação de trem abandonada e invadida pela areia no quarto ato, valorizada pela bela iluminação.

María José Siri encarna uma Manon sensual, forte, de um timbre redondo e robusto, de um legato inesgotável e de agudos perfeitamente sustentados. Ela confere ao personagem uma profundidade tocante no duo do amor apaixonado – “Ah! Vieni! Colle tua braccia” – e no drama final – “Sola, perduta, abbandonata”.

Roberto Aronica, substituindo à última hora Marcello Alvarez por motivo de doença, encarna bravamente um Des Grieux com um desempenho vigoroso, tanto em termos teatrais como vocais, em particular no dilacerante “No! Pazzo son!”.

A orquestra e o coro do alla Scala não são, é claro, os menores trunfos da apresentação. Muitas cores, muitas nuances, realces e dinamismo numa interpretação extremamente narrativa, na qual se destacam ainda belas individualidades, como o esplêndido clarinete no primeiro ato ou o solo de violoncelo no intermezzo do terceiro ato, para tornar mais contundente um grande momento da ópera.

Ato I
Estação de trem de Amiens, na França

Os viajantes bebem cerveja, jogam cartas, conversam. Edmondo, um jovem estudante, recita uns versinhos burlescos e picantes para umas jovens donzelas, quando chega seu amigo Des Grieux, que parece um pouco sério e preocupado. Edmondo lhe pergunta se ele está apaixonado. Des Grieux responde ao amigo que o amor é uma espécie de comédia ou tragédia na qual ele não está nem um pouco interessado.

Chega um coche de Arras, do qual descem vários passageiros, entre os quais uma jovem de rara beleza, que imediatamente chama a atenção de Des Grieux; junto com ela estão seu irmão, Lescaut, sargento da guarda real, e um senhor que eles conheceram durante a viagem, chamado Geronte. O jovem e o velho entram na hospedaria e conversam com o dono; enquanto isso, a jovem senta-se sozinha num dos bancos do jardim, com uma pequena bagagem de mão e um olhar triste mas doce. Des Grieux não resiste à tentação, aproxima-se da jovem e pergunta como ela se chama. “Chamo-me Manon Lescaut,” diz ela, e explica que vai dormir naquele hotel só por uma noite, e partirá na manhã seguinte para um convento. É desejo do pai que ela seja uma freira. A curta conversa dos dois, contudo, mostra claramente que este não é o desejo da jovem. Ouve-se a voz do irmão chamando Manon de dentro da hospedaria. “Ver-nos-emos mais tarde?” pergunta Des Grieux. Ela responde que sim. “Eu nunca vi uma mulher como esta,” exclama ele numa ária, Donna non vidi mai simile a questa que exprime a paixão por Manon que acaba de despertar nele. Des Grieux concebe um plano: raptar Manon e levá-la para Paris. Só que o velho lúbrico, Geronte, teve a mesma idéia. Lá dentro da hospedaria, ele oferece uma boa soma em dinheiro ao dono da mesma para que prepare uma carruagem dentro de uma hora, pronta a partir voando para Paris. Edmondo, que entreouviu a conversa de Geronte com o dono da hospedaria, vem correndo avisar Des Grieux. Chega Manon, como prometeu, e Des Grieux e Edmondo contam a ela que o velho pretende raptá-la. Des Grieux convence Manon a fugir com ele. Eles fogem na mesma carruagem que Geronte havia ordenado. Quando Geronte percebe que lhe passaram a perna, fica enfurecido, mas Lescaut o consola. Afinal, diz ele, bolsa de estudante logo fica vazia. Os dois seguem para Paris.

Ato II

Assim como Lescaut previra, o caso de amor entre Manon e Des Grieux não durou muito tempo. Assim que as condições materiais de subsistência do jovem casal desceram ao nível do proletariado, não foi difícil convencê-la a instalar-se na mansão do velho indecente. Nós a vemos cercada de luxo, com cabeleireiros, costureiros, peruqueiros, e um batalhão de criados satisfazendo seus mais ínfimos caprichos – chegou a hora dos minuetos e pó-de-arroz, dos quais Puccini havia acusado Massenet – talvez inescapáveis, em se tratando da Manon. Chega seu irmão Lescaut. Numa ária, In quelle trine morbide, ela exprime seu enfado com aquela vida vazia. Lescaut conta que seu amigo Des Grieux não para de importuná-lo: onde está Manon? Onde vive? Com quem fugiu? Lescaut vai buscar Des Grieux, que entra pela janela. Nem é necessário dizer que, quando eles estão no auge dos amassos amorosos, Geronte entra no quarto, arregala os olhos, abre bem a boca, põe a mão na cara num gesto de estupefação, e se retira do quarto. Manon e Des Grieux pretendem fugir; Manon enche a bolsa de jóias roubadas que ela pretende levar consigo. Geronte chamou a polícia; a casa está cercada. Policiais entram no quarto. A bolsa cai da mão de Manon e se espatifa no chão, esparramando todas as jóias. Manon é presa.

Ato III

Manon é processada por prostituição, e agora deve enfrentar o destino de todas as prostitutas: deportação para a América. O comandante do navio vai lendo um por um os nomes de todas as prostitutas “convidadas” a subir a bordo do navio para a deportação: Rosetta… Madelon… Claretta… Ninon… Violetta… Manon! Ao ouvir o nome de sua bem-amada, Des Grieux cai aos pés do comandante do navio e, chorando, canta para ele uma ária de tenor, suplicando a ele que o deixe embarcar como descascador de batatas. “Vai, meu rapaz! Vai povoar a América” diz o comandante.

Ato IV
Um deserto na Luisiana, perto de Nova Orleans

Numa região constantemente devastada por furacões e inundações, Manon e Des Grieux fogem de Nova Orleans, em busca de água e comida. Eles cantam um longo dueto de amor. Des Grieux se afasta um pouco para ver se avista alguma caravana ou algo parecido. É então que Manon canta sua famosa ária, Sola, perduta, abbandonata, um verdadeiro teste para as habilidades dramáticas e musicais das melhores sopranos. Parece que o pior pesadelo de Manon tornou-se realidade: ela vai morrer sozinha, abandonada por todos. Des Grieux retorna, e Manon morre feliz nos braços dele.

           

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