{"id":3973,"date":"2023-08-24T15:20:06","date_gmt":"2023-08-24T18:20:06","guid":{"rendered":"https:\/\/operanatela.com\/2023\/?page_id=3973"},"modified":"2023-08-24T17:50:21","modified_gmt":"2023-08-24T20:50:21","slug":"uma-breve-historia-da-opera","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/operanatela.com\/2023\/uma-breve-historia-da-opera\/","title":{"rendered":"Uma breve hist\u00f3ria da \u00f3pera"},"content":{"rendered":"<p><strong>A \u00d3PERA: ARTE TOTAL<\/strong><br \/>\n<strong>Rodolfo Valverde<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3996\" src=\"https:\/\/operanatela.com\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto-Rodolfo-Valverde-200x300.jpg\" alt=\"Rodolfo Valverde\" width=\"250\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/operanatela.com\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto-Rodolfo-Valverde-200x300.jpg 200w, https:\/\/operanatela.com\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto-Rodolfo-Valverde-683x1024.jpg 683w, https:\/\/operanatela.com\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto-Rodolfo-Valverde-768x1152.jpg 768w, https:\/\/operanatela.com\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto-Rodolfo-Valverde.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/p>\n<p>O que \u00e9 \u00f3pera? Por que \u00e9 uma obra de arte total? Como surgiu? E o que ela representa em nossos dias de hoje? Existem novas \u00f3peras ou somente aquelas que foram compostas no passado? Como posso gostar de \u00f3pera? S\u00e3o perguntas inevit\u00e1veis para um p\u00fablico jovem acostumado a diferentes express\u00f5es art\u00edsticas desenvolvidas atrav\u00e9s de novas m\u00eddias que resultaram de toda a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos \u00faltimos cem anos, principalmente o cinema.<\/p>\n<p>Mas antes de entender o que \u00e9 a \u00f3pera hoje, precisamos voltar no tempo, \u00e0 It\u00e1lia do fim do s\u00e9culo XVI, quando intelectuais, poetas, m\u00fasicos e aristocratas, movidos pela redescoberta do teatro praticado na antiga Gr\u00e9cia, procuravam recriar o seu impacto. Esse grupo, que se reunia em Floren\u00e7a (por isso chamado de Camerata Florentina) acreditava que a for\u00e7a do teatro grego estava no uso da m\u00fasica para expressar as emo\u00e7\u00f5es do drama, mas a m\u00fasica daquela \u00e9poca, caracterizada por v\u00e1rias linhas musicais entrela\u00e7adas (polifonia) era inadequada para enfatizar a poesia e representar os personagens.<\/p>\n<p>Sendo assim, desenvolveram uma nova linguagem musical (<em>stile recitativo<\/em>) que permitiria declamar o texto com clareza, expressar as diversas emo\u00e7\u00f5es (afetos) e dar voz a todos os personagens. Nascia a \u00f3pera, em que a m\u00fasica, a poesia e o drama se combinam e se complementam, produzindo em conjunto um g\u00eanero teatral de for\u00e7a, profundidade e beleza \u00fanicas.<\/p>\n<p>Com a \u00f3pera, surgia uma nova era da hist\u00f3ria da arte ocidental e todas as demais manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e musicais foram influenciadas por ela. A \u00f3pera reinou absoluta por mais 300 anos, seduzindo p\u00fablicos cada vez maiores e entusiasmados, at\u00e9 ser gradativamente suplantada no s\u00e9culo XX pelo cinema.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil entender o porqu\u00ea. Com as novas tecnologias, as obras cinematogr\u00e1ficas s\u00e3o gravadas uma s\u00f3 vez e transmitidas em qualquer lugar, para os mais diversos p\u00fablicos, atrav\u00e9s de projetores. A \u00f3pera acontece ao vivo e, para apreci\u00e1-la, \u00e9 necess\u00e1rio ir at\u00e9 o teatro onde est\u00e1 sendo encenada. Mas a experi\u00eancia teatral tamb\u00e9m pode ser filmada e transmitida. \u00c9 o que o projeto \u201c\u00d3pera na Tela\u201d traz aos brasileiros: a magia e a arte soberana dos principais teatros e festivais de \u00f3pera do mundo! E o grande diferencial \u00e9 que os recursos cinematogr\u00e1ficos, embora jamais substituam a experi\u00eancia ao vivo, podem oferecer ao espectador detalhes da atua\u00e7\u00e3o dos int\u00e9rpretes, dos cen\u00e1rios e dos figurinos que muitas vezes n\u00e3o ser\u00e3o percebidos integralmente por quem est\u00e1 no teatro.<\/p>\n<p>Mas qual \u00e9 a diferen\u00e7a do cinema para a \u00f3pera? O cinema substitui a \u00f3pera? Definitivamente n\u00e3o, s\u00e3o g\u00eaneros diferentes. O cinema pode combinar todas as express\u00f5es art\u00edsticas para que o drama ganhe vida, e a m\u00fasica \u00e9 um dos recursos utilizados. Na \u00f3pera, o drama se desenvolve e se torna vivo atrav\u00e9s da m\u00fasica! Na \u00f3pera, o drama, a poesia e a m\u00fasica s\u00e3o igualmente importantes e indissoci\u00e1veis, somados a todas as demais possibilidades do universo teatral, como cenografia, coreografia e figurinos. A \u00f3pera \u00e9 a arte total!<\/p>\n<p>Precisamos voltar aos seus prim\u00f3rdios para entendermos como ela chegou at\u00e9 n\u00f3s, atrav\u00e9s do teatro e do cinema. Assim como todos os principais g\u00eaneros art\u00edsticos daquele tempo, a \u00f3pera em seu nascimento era patrocinada pela nobreza. Os aristocratas inclusive utilizavam os espet\u00e1culos oper\u00edsticos para refor\u00e7ar sua imagem p\u00fablica e seu poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Em rivalidade com Floren\u00e7a, onde as primeiras \u00f3peras foram encenadas, a corte de M\u00e2ntua encomendou a seu compositor principal uma nova \u00f3pera. S\u00f3 que seu \u201cmestre de capela\u201d era Claudio Monteverdi, um dos maiores g\u00eanios dram\u00e1tico-musicais da hist\u00f3ria, e a sua vers\u00e3o para o mito de Orfeu estrearia em 1607 (<em>L\u2019Orfeo, favola in musica<\/em>), tornando-se de fato a primeira obraprima da \u00f3pera.<\/p>\n<p><em>L\u2019Orfeo<\/em> narra a hist\u00f3ria de amor entre Orfeu, filho de Apolo e m\u00fasico incompar\u00e1vel, e a bela Eur\u00eddice. Atrav\u00e9s da sua m\u00fasica, o semideus Orfeu consegue encantar todos os seres e objetos. Quando a sua amada Eur\u00eddice morre picada por uma serpente no dia do seu casamento, Orfeu desesperado decide ir at\u00e9 o reino dos mortos (Hades) para traz\u00ea-la de volta \u00e0 vida utilizando somente o poder de sua m\u00fasica.<\/p>\n<p>Mas por que o mito de Orfeu e Eur\u00eddice? Como a \u00f3pera nasce influenciada pelo teatro grego, os temas mais utilizados em seu primeiro s\u00e9culo de exist\u00eancia s\u00e3o extra\u00eddos da mitologia greco-romana. E hist\u00f3ria de Orfeu \u00e9 emblem\u00e1tica porque simboliza o poder transformador da m\u00fasica. E n\u00e3o \u00e9 exatamente isto o que a \u00f3pera representa? Da\u00ed entendemos a atra\u00e7\u00e3o que a hist\u00f3ria de Orfeu e Eur\u00eddice sempre exerceu nos mais diversos compositores e poetas, desde o nascimento da \u00f3pera at\u00e9 nossos dias.<\/p>\n<p>Sim, compositores e poetas. Como arte total, drama desenvolvido atrav\u00e9s da m\u00fasica, a \u00f3pera necessariamente \u00e9 constitu\u00edda por um texto teatral (chamado de libreto), que pode estar pronto antes do m\u00fasico iniciar a composi\u00e7\u00e3o ou pode ser elaborado pelo escritor paralelamente \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do compositor. S\u00e3o v\u00e1rias as possibilidades de trabalho conjunto.<\/p>\n<p>Mas a \u00f3pera precisa tamb\u00e9m de um espa\u00e7o adequado e equipado com m\u00e1quinas que permitam efeitos e mudan\u00e7as nos cen\u00e1rios. As primeiras \u00f3peras, como <em>L\u2019Orfeo<\/em> de Monteverdi, foram encenadas para a nobreza em sal\u00f5es palacianos. Foi a partir de 1637, na cidade de Veneza, que foram inaugurados os primeiros teatros de \u00f3pera abertos a um p\u00fablico pagante. O sucesso da \u00f3pera na cidade foi tal que, 40 anos depois, existiam nove teatros!<\/p>\n<p>Em Veneza, os teatros foram equipados com m\u00e1quinas que produziam os mais sofisticados efeitos de palco. Cen\u00e1rios e figurinos se tornaram cada vez mais exuberantes. Os cantores se tornaram celebridades, adorados por um p\u00fablico que vibrava com suas vozes cada vez mais preparadas tecnicamente e capazes de um canto extraordin\u00e1rio e virtuos\u00edstico. Foi para atender as demandas crescentes dos cantores e do p\u00fablico que a \u00f3pera italiana come\u00e7ou a se estruturar em uma sequ\u00eancia de recitativos, onde a a\u00e7\u00e3o \u00e9 desenvolvida, e \u00e1rias, can\u00e7\u00f5es em que os personagens expressam as suas emo\u00e7\u00f5es, refletindo sobre os acontecimentos narrados previamente.<\/p>\n<p>A partir de Veneza, a \u00f3pera foi se espalhando por toda a It\u00e1lia e para outras regi\u00f5es, como a \u00c1ustria e a Alemanha. No s\u00e9culo seguinte, o XVIII, a \u00f3pera italiana estava presente em toda a Europa, de Lisboa a S\u00e3o Petersburgo, encenada tanto em teatros da corte como em teatros abertos ao p\u00fablico. Era um fen\u00f4meno art\u00edstico incompar\u00e1vel gra\u00e7as \u00e0 sua riqueza musical, apelo dram\u00e1tico e, acima de tudo, pelas vozes excepcionais dos cantores, as grandes estrelas da \u00f3pera de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A tem\u00e1tica mitol\u00f3gica greco-romana foi sendo substitu\u00edda por roteiros de fundo hist\u00f3rico ou por hist\u00f3rias fant\u00e1sticas de cavalaria. Enquanto os temas hist\u00f3ricos eram povoados por imperadores poderosos e magn\u00e2nimos, rainhas, generais e membros da corte, tanto amigos como rivais, as lendas de cavalaria narravam as fa\u00e7anhas de um her\u00f3i em busca de sua donzela amada, enfrentando as artimanhas produzidas por magos ou feiticeiras.<\/p>\n<p>Em seu dom\u00ednio por toda a Europa, compositores das mais diversas nacionalidades se dedicaram \u00e0 \u00f3pera italiana, a ponto de termos como seus maiores expoentes no s\u00e9culo XVIII o alem\u00e3o Georg Friedrich H\u00e4ndel e o austr\u00edaco Wolfgang Amadeus Mozart. Estabelecido em Londres, H\u00e4ndel levou a \u00f3pera italiana de tem\u00e1tica s\u00e9ria ao seu apogeu musical. Em Viena, Mozart expressou a sua grandeza e profunda compreens\u00e3o das paix\u00f5es humanas principalmente em \u00f3peras italianas de tem\u00e1tica c\u00f4mica (a chamada <em>opera buffa<\/em>).<\/p>\n<p>A \u00f3pera bufa teve o seu primeiro grande desenvolvimento na cidade italiana de N\u00e1poles, que naquele in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII havia se tornado o maior centro de forma\u00e7\u00e3o de cantores, instrumentistas e compositores. Na \u00f3pera c\u00f4mica, her\u00f3is, deuses e reis foram substitu\u00eddos por personagens reais, vivendo situa\u00e7\u00f5es cotidianas em que a com\u00e9dia se fazia presente principalmente atrav\u00e9s de intrigas e conflitos entre patr\u00f5es e empregados.<\/p>\n<p>Embora a \u00f3pera italiana houvesse se tornado absoluta, uma na\u00e7\u00e3o resistiu \u00e0 sua entrada, a Fran\u00e7a. Por quest\u00f5es culturais e pol\u00edticas, a aristocracia francesa n\u00e3o cedeu aos encantos da m\u00fasica e dos cantores italianos. A dan\u00e7a era a grande atra\u00e7\u00e3o da corte, e o teatro falado era o apre\u00e7o maior dos franceses. Foi preciso que um florentino radicado na Fran\u00e7a desde a sua adolesc\u00eancia, Jean Baptiste Lully, consciente do gosto franc\u00eas, desenvolvesse um g\u00eanero de \u00f3pera caracter\u00edstico da corte em Paris, a trag\u00e9dia l\u00edrica (<em>trag\u00e9die lyrique<\/em>), a partir de 1672.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da \u00f3pera italiana, a \u00f3pera francesa enfatizava a declama\u00e7\u00e3o em recitativo e as dan\u00e7as, al\u00e9m, \u00e9 claro, da exalta\u00e7\u00e3o da figura do monarca, o c\u00e9lebre Lu\u00eds XIV, conhecido como o Rei Sol. Tamb\u00e9m no uso dos instrumentos, a diferen\u00e7a se fazia sentir pois as \u00f3peras francesas utilizavam, al\u00e9m dos instrumentos de cordas (como os violinos) t\u00e3o caros aos italianos, instrumentos de sopro (como flautas e obo\u00e9s) e de percuss\u00e3o. \u00c9 nas \u00f3peras de Lully que ouviremos regularmente um conjunto instrumental diversificado que passaremos a chamar de orquestra.<\/p>\n<p>Ao entrarmos no s\u00e9culo XIX, as transforma\u00e7\u00f5es da \u00f3pera s\u00e3o imensas. O romantismo \u00e9 a est\u00e9tica do momento com sua \u00eanfase nos amores imposs\u00edveis e tr\u00e1gicos, na liberdade individual e na procura de um mundo idealizado. As paix\u00f5es se tornam mais intensas, assim como os teatros e as orquestras se tornam maiores.<\/p>\n<p>As vozes dos cantores precisam se projetar por espa\u00e7os mais amplos e acima de orquestras com um n\u00famero maior de instrumentos, que tamb\u00e9m se modificaram atrav\u00e9s de inova\u00e7\u00f5es produzindo sons mais penetrantes. \u00c9 importante lembrar que n\u00e3o havia microfones ou qualquer outro instrumento de amplifica\u00e7\u00e3o. Assim, pelas novas demandas ac\u00fasticas e pela temperatura cada vez mais elevada do drama, a t\u00e9cnica de prepara\u00e7\u00e3o vocal se modifica e o canto come\u00e7a a se afastar das linhas mel\u00f3dicas l\u00edricas e ornamentadas que caracterizavam a \u00f3pera italiana at\u00e9 aqui. As obras dos italianos Gioacchino Rossini, Vincenzo Bellini e Gaetano Donizetti s\u00e3o as mais representativas, na primeira metade do s\u00e9culo XIX, desse estilo conhecido como <em>bel canto<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que surge Giuseppe Verdi, indiscutivelmente o grande nome da \u00f3pera italiana daquele s\u00e9culo e o compositor mais executado em todos os teatros de \u00f3pera do mundo desde ent\u00e3o. Suas primeiras \u00f3peras se desenvolvem a partir do <em>bel canto<\/em>, mas a maior preocupa\u00e7\u00e3o do momento \u00e9 fazer com que a m\u00fasica expressasse da forma mais fiel poss\u00edvel o texto, mas tamb\u00e9m as situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas e as emo\u00e7\u00f5es vividas pelos personagens. Verdi inicia uma profunda reestrutura\u00e7\u00e3o da \u00f3pera, flexibilizando aquela sequ\u00eancia de recitativos e \u00e1rias e incluindo cenas cada vez mais livres musicalmente para corresponder \u00e0s exig\u00eancias do drama. Neste contexto, Verdi produziu algumas das obras-primas mais duradouras da hist\u00f3ria da \u00f3pera, como <em>Rigoletto<\/em>, <em>La Traviata<\/em>, <em>Don Carlo<\/em>, <em>Aida<\/em> e <em>Otello<\/em>.<\/p>\n<p>Como voc\u00eas j\u00e1 devem ter percebido, a \u00f3pera at\u00e9 aqui era principalmente italiana, a n\u00e3o ser pelo estilo franc\u00eas que discutimos. Nas cortes e nas cidades austr\u00edacas e alem\u00e3s, assim como em diversos outros pa\u00edses e regi\u00f5es, a \u00f3pera produzida era principalmente a italiana, cantada em italiano, a n\u00e3o ser por g\u00eaneros teatrais como o <em>singspiel<\/em>, que tinha di\u00e1logos falados em alem\u00e3o intercalados \u00e0s can\u00e7\u00f5es. Foi neste g\u00eanero que Mozart produziu algumas de suas obras mais ricas, como A Flauta M\u00e1gica.<\/p>\n<p>Com a mesma inquieta\u00e7\u00e3o de Verdi, fazer com que a m\u00fasica se moldasse livremente ao drama para express\u00e1-lo de uma forma mais perfeita e profunda, que motivou seu contempor\u00e2neo, o alem\u00e3o Richard Wagner, a fazer a maior revolu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da m\u00fasica.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas que mais marcaram o s\u00e9culo XIX foi a \u00eanfase dos artistas em valorizar a sua cultura local, suas tradi\u00e7\u00f5es, o que chamamos de nacionalismo. Foi nesse per\u00edodo que muitas lendas e contos de fadas foram anotados e publicados! Assim, inspirado pelos mitos germ\u00e2nicos e disposto a criar uma \u00f3pera alem\u00e3 com novas caracter\u00edsticas, em que a poesia, a m\u00fasica, a cenografia e todas as demais express\u00f5es art\u00edsticas se unissem em total liberdade para narrar a hist\u00f3ria da forma mais perfeita poss\u00edvel, que Wagner revolucionou o g\u00eanero. Para marcar a diferen\u00e7a, o compositor passou a chamar as suas \u00f3peras de drama musical. Para que tivesse um controle absoluto de todos os elementos do drama, o pr\u00f3prio Wagner escreveu os libretos que iria musicar, algo in\u00e9dito na \u00e9poca. Al\u00e9m disso, construiu na cidade de Bayreuth, com o apoio financeiro de Ludwig II, rei da Baviera, um teatro seguindo todas as caracter\u00edsticas arquitet\u00f4nicas que ele julgava ideais para a execu\u00e7\u00e3o de suas \u00f3peras. Nesse teatro, pela primeira vez na hist\u00f3ria, tivemos a diminui\u00e7\u00e3o das luzes durante a encena\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Neste mesmo s\u00e9culo, Paris era a capital cultural da Europa e existiam diversos teatros de \u00f3pera. \u00c9 importante saber que a revolu\u00e7\u00e3o francesa de 1789 havia mudado profundamente a sociedade, a pol\u00edtica, as artes e consequentemente o estilo oper\u00edstico. Cada teatro encenava obras com caracter\u00edsticas espec\u00edficas e o mais importante de todos, a \u00d3pera de Paris, desenvolveu um estilo grandioso, com cen\u00e1rios ricos e figurinos luxuosos, conhecido como <em>grand op\u00e9ra<\/em>. Compositores de outros pa\u00edses sonhavam em encenar suas obras l\u00e1, e de fato Verdi e Wagner conseguiram, nem sempre com o sucesso que esperavam.<\/p>\n<p>Em outros teatros, a \u00f3peras apresentavam diferen\u00e7as quanto ao tipo de hist\u00f3ria narrada ou ao estilo, mas algo era comum a todas elas, a presen\u00e7a da dan\u00e7a. O bal\u00e9 sempre foi um espet\u00e1culo de elei\u00e7\u00e3o entre os franceses. \u00c0s vezes, quando a \u00f3pera fugia muito ao que se esperava, o resultado era um fracasso estrondoso na estreia, como aconteceu com a Carmen, de Bizet, no <em>Op\u00e9ra-Comique<\/em>. Apesar de apresentar di\u00e1logos falados, e n\u00e3o cantados, como era a regra naquele teatro, a hist\u00f3ria violenta e tr\u00e1gica n\u00e3o era o que p\u00fablico estava acostumado, pois habitualmente os enredos encenados eram leves e sentimentais, muitas vezes c\u00f4micos.<\/p>\n<p>O mesmo sentimento nacionalista que estava presente em Wagner estimulou compositores de outras na\u00e7\u00f5es a fazerem \u00f3peras em seus idiomas e baseadas em sua cultura local. Aconteceu com compositores russos, tchecos, poloneses, h\u00fangaros, escandinavos, espanh\u00f3is, ingleses e de outras regi\u00f5es da Europa e das Am\u00e9ricas. Mas em todos, de alguma maneira, estava a influ\u00eancia do drama musical de Wagner, a procura de uma \u00f3pera cuja hist\u00f3ria se desenvolvesse atrav\u00e9s da m\u00fasica da forma mais livre poss\u00edvel, sem interrup\u00e7\u00f5es ou divis\u00f5es entre recitativos e \u00e1rias.<\/p>\n<p>E n\u00e3o foi diferente com os compositores italianos e franceses. Giacomo Puccini, o maior expoente da \u00f3pera italiana da gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s Verdi conseguiu combinar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o os elementos de sua tradi\u00e7\u00e3o dram\u00e1tico-musical com a concep\u00e7\u00e3o de Wagner e a grande tend\u00eancia daquele momento na literatura, o realismo. Em suas \u00f3peras, a m\u00fasica evoca e descreve com riqueza de detalhes toda a cena que se desenvolve diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XX trouxe mudan\u00e7as impressionantes para a sociedade e para a cultura, basta lembramos de toda a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica: avi\u00f5es, autom\u00f3veis, grava\u00e7\u00f5es sonoras, cinema, televis\u00e3o, internet e tantas coisas mais, uma revolu\u00e7\u00e3o sem precedentes! Tudo mudou e, claro, a \u00f3pera tamb\u00e9m. Como arte total, ela reflete como nenhuma outra o seu tempo.<\/p>\n<p>O interc\u00e2mbio crescente entre povos das regi\u00f5es mais distantes do planeta, a diversidade de linguagens musicais decorrentes da globaliza\u00e7\u00e3o que caracteriza o nosso tempo, ou seja, possibilidades que parecem cada vez mais infinitas contribu\u00edram para que a \u00f3pera tenha se tornada cada vez mais estimulante. Precisar\u00edamos de um espa\u00e7o maior do que o que usamos at\u00e9 aqui para falar de tudo o que aconteceu com ela nos \u00faltimos cem anos!<\/p>\n<p>E a combina\u00e7\u00e3o da \u00f3pera com o cinema permitiu que as encena\u00e7\u00f5es dos principais palcos teatrais chegassem a todos, em qualquer lugar do planeta. \u00d3peras de todos os tempos que falam a n\u00f3s hoje e nos transformam com a mesma intensidade, as mesmas emo\u00e7\u00f5es e a mesma beleza com que falaram quando foram criadas. A \u00f3pera \u00e9 eterna porque \u00e9 a pr\u00f3pria vida! A \u00f3pera \u00e9 viva! Viva a \u00f3pera!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00d3PERA: ARTE TOTAL Rodolfo Valverde O que \u00e9 \u00f3pera? Por que \u00e9 uma obra de arte total? Como surgiu? E o que ela representa em nossos dias de hoje? Existem novas \u00f3peras ou somente aquelas que foram compostas no passado? Como posso gostar de \u00f3pera? 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